Marcelo Tas fala à comunidade judaica sobre reportagem em Gaza

O apresentador Marcelo Tas do programa CQC, da Band, falou na noite desta terça, 2 de setembro, à comunidade judaica, em evento promovido pela Comunidade Shalom com moderação do rabino Adrián Gottfried.

Uma série de três reportagens do CQC sobre o conflito, exibidas em julho e agosto, causou mal-estar na comunidade judaica. Além disso, jovens judeus que compareceram ao estúdio da Band quando da transmissão da terceira reportagem e tentaram falar com Tas após o programa reclamaram por terem sido muito mal recebidos.

Tas compareceu junto à produtora do programa e ao repórter Ronald Rios, que fez a cobertura. Em sua primeira intervenção, o apresentador pediu “desculpas pelo bate-boca” na Band, falou que não é de seu feitio ter este tipo de reação e acrescentou que, ao final do CQC, já de madrugada, ele tinha cumprido jornada de 8 horas de trabalho e estava muito cansado. Também observou que não sabia que o grupo que o abordou era ligado à Federação Israelita (Fisesp).

Gottfried pediu que levantasse a mão quem tinha parentes e/ou amigos em Israel. A imensa maioria levantou. “Marcelo, isso é para lhe mostrar que tudo que é dito, escrito e mostrado sobre Israel nos diz respeito de forma muito profunda”, comentou o rabino.

Henry Gherson, responsável pela Juventude da Fisesp e presente no estúdio da Band, foi chamado a comentar as explicações de Tas e afirmou de forma taxativa: “Sempre fui grande admirador seu e do CQC, mas fiquei muito decepcionado, porque a primeira coisa você que nos disse na Band foi: ‘Não vou falar com vocês. Não converso com mentirosos’”. Tas não contestou.

Ronald Rios informou dados sobre a cobertura: a equipe composta por repórter, cinegrafista e produtor passou cinco dias em Israel e Cisjordânia, quatro em Gaza.

Com clima de tensão na sinagoga lotada (mais de 400 pessoas), foi exibida a terceira reportagem da série, que dedica bem mais tempo a cenas de Gaza do que de Israel. Ao final, mais inquietação na plateia. Gottfried abriu para perguntas, e elas choveram.

Por que o CQC cobre o conflito em Gaza, mas não os conflitos na Síria e na Ucrânia?

Tas: “Por causa da importância de Israel. Em nossa interação com o público, percebemos que o CQC é visto como um telejornal por muita gente que estava sem qualquer contato sobre notícias de política. Tentamos ir à Síria, mas ainda não conseguimos. De qualquer forma, acho que falta humildade a quem se quer isento de cobertura jornalística”.

Você sabe que a matéria ajudou a aumentar o antissemitismo no Brasil?

“Acho que falta discernimento. Fui até acusado de nazista. Tenho muitas criticas com relação ao governo de Israel, mas não expressei isso na bancada. E críticas não tem nada a ver com antissemitismo”.

Considerando que o CQC também se vê como um programa jornalístico, você não acha que foi dado tratamento superficial a um tema muito complexo?

“Esforçamo-nos para dar um tratamento ético e balanceado. Não mostramos os túneis, porque a logística foi muito complicada, mas o CQC da Argentina, que entrou depois em Gaza, os mostrou. O fato é que o correspondente de guerra é a primeira vítima das mentiras da guerra. Não falamos dos mísseis guardados em escolas porque nem todos os relatos eram verdadeiros”. Ronald Rios acrescentou: “Relatei o que vi e ouvi”.

Houve críticas dos palestinos ao programa? Tas disse que sim, mas não deu nenhum detalhe. Preferiu falar sobre a função da crítica: “Ela deve ser feita de um jeito determinado, em um momento determinado e com lealdade ao criticado. Fui um grande crítico de Maluf, mas sempre lhe dei a chance de falar”.

Tas, você sabe o que são Isis, Hamas, etc? “Sim, são todos terroristas. E a cegueira do fanatismo acaba com a possibilidade de diálogo. Assumi nas redes sociais que meu filho é gay e que tenho orgulho dele e recebi toneladas de agressões – ainda que muitos tenham elogiado”. Perguntado sobre o racismo no futebol, ele considerou que é resultado da incapacidade de comunicação, de se colocar no lugar do outro, entender o sofrimento do outro.

Um pergunta curta: o antissionismo é o novo antissemitismo? Uma resposta curta: “Não”.

Gottfried rebateu: “O antissionismo é sim uma faceta do antissemitismo. A mídia dedica mais tempo à destruição em Gaza; a ONU relata que Israel atingiu escola, mas não tem a mesma veemência com outros países; divulga-se que entre as vítimas palestinas a grande maioria é de civis, quando Israel informa que mil combatentes do Hamas foram mortos e 600 feitos prisioneiros”.

O rabino prosseguiu: ”Há também uma diferença religiosa. Enquanto o Islã permite a superexposição dos corpos, o judaísmo prega o recato. Obviamente, isso foi usado na guerra de propaganda”.

E outra diferença óbvia, mas evidentemente desconsiderada: “Israel é um país democrático e permite a cobertura da guerra. Síria, Iraque, etc não a permitem”.

Tas havia reclamado, durante o bate-boca na Band, que ninguém lhe enviou uma relação dos problemas que existiriam nas reportagens. Atendendo ao seu pedido, uma lista sintética de quatro páginas foi-lhe educadamente entregue em mãos.

Ao final do encontro, vários jovens insatisfeitos com as respostas de Tas sobre o episódio na Band foram conversar com ele.

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