MENSAGEM DE CLAUDIO LOTTENBERG, PRESIDENTE DA CONIB

Devido à entrevista que concedi à jornalista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, tenho recebido críticas e elogios.

Gostaria, com humildade e um sentimento de prestação de contas à comunidade – à qual me dedico desde a juventude -, comentar as críticas.

Primeiramente, desejaria enfatizar que as recebo com espírito democrático. Habituei-me, ao longo de minha trajetória profissional e comunitária, a aprender com opiniões contrárias.

Em segundo lugar, gostaria de destacar que, em algumas das críticas, é mencionado um suposto pedido de desculpas. Não fiz isso. Lamentei a linguagem utilizada pelo porta-voz. Achei-as deselegantes, pois criticaram o Brasil, o país como um todo, ao chamá-lo de irrelevante.

O porta-voz, como é hábito na diplomacia, poderia dirigir críticas a um governo e a sua política externa, não a um país, encampando toda sua história e toda a sua população.

E, ao recorrer à ironia, equivocou-se. É difícil e incômodo admitir, mas não há como tapar o sol com a peneira.
Suas declarações geraram mal-estar em diversos setores da sociedade brasileira. Não foi apenas no plano do governo federal.

Como presidente da Conib, tenho a responsabilidade de zelar por nossa comunidade e pela intensificação dos laços entre Brasil e Israel.

Gostaria de enfatizar também que não me afastei um milímetro das posições assumidas pela Conib desde o início do conflito. Reiterei sempre que não aceito a tese da desproporcionalidade, sustento o direito de Israel se defender e mantenho a crítica às últimas atitudes do Itamaraty, como expressam as notas divulgadas pela Conib.

De qualquer maneira, despeço-me agradecendo as sugestões e as críticas.

E diria ainda que, neste momento de desafios históricos, precisamos manter nossa coesão, sem abrir mão do exercício de crítica. Precisamos encarar a responsabilidade nas tarefas absolutamente fundamentais de defender o Estado de Israel e combater o antissemitismo. Fazemos tudo isso em nome de nossos filhos, dos filhos de Israel e de todo o povo judeu.

Claudio Lottenberg
Presidente da Confederação Israelita do Brasil

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Conib exorta Brasil e Israel a preservar diálogo e compreensão mútua

bandeiras

A Confederação Israelita do Brasil lamenta profundamente os últimos episódios das relações diplomáticas entre Brasil e Israel, marcados por uma escalada de desentendimentos que contrasta com momentos históricos de importante cooperação mútua, como quando da criação do Estado judeu pelas Nações Unidas, em sessão presidida pelo diplomata brasileiro Osvaldo Aranha em 1947.

Como representante da comunidade judaica brasileira, a Conib trabalha árdua e intensamente pela intensificação dos laços entre os dois países. E não abrirá mão de sua tarefa, apesar dos atuais momentos difíceis. Envidará todos os esforços a seu alcance para que os dois governos voltem a cultivar uma relação de respeito e compreensão mútua.

O Brasil é um exemplo de convivência pacífica e harmoniosa entre diversos grupos étnicos, culturais e religiosos. Que o modelo brasileiro sirva de exemplo para inspirar as lideranças do Oriente Médio que insistem no caminho da intolerância e do terrorismo. Clamamos por um cessar-fogo o mais breve possível e que abra as condições para uma pacificação efetiva da região, onde todos os povos possam viver em paz, harmonia, democracia e segurança.

Comunidade com Israel pela Paz

O candidato a deputado federal pelo PSDB, Floriano Pesaro, participou da Manifestação da Comunidade Judaica. — na Praça Cinqüentenário De Israel ontem a noite que reuniu mais de 3000 pessoas.

Os oradores se sucederam em apoio a posição de Israel de se defender perante os ataques dos terroristas do Hamas.

A maioria das pessoas presentes desejam que o cessar- fogo e o desarmamento do Hamas aconteçam o mais cedo possível.

O evento foi organizado pela Federação Israelita de São Paulo e a Juventude Judaica Organizada.manisfestaçãomanifestação 2

CONIB REAGE A NOTA DO ITAMARATY

A Confederação Israelita do Brasil vem a público manifestar sua indignação com a nota divulgada nesta quarta-feira pelo nosso Ministério das Relações Exteriores, na qual se evidencia a abordagem unilateral do conflito na Faixa de Gaza, ao criticar Israel e ignorar as ações do grupo terrorista Hamas.

Representante da comunidade judaica brasileira, a Conib compartilha da preocupação do povo brasileiro e expressa profunda dor pelas mortes nos dois lados do conflito.Assim como o Itamaraty, esperamos um cessar-fogo imediato.

No entanto, a lamentável nota divulgada pela chancelaria exime o grupo terrorista Hamas de responsabilidade no cenário atual. Não há uma palavra sequer sobre os milhares de foguetes lançados contra solo israelense ou as seguidas negativas do Hamas em aceitar um cessar-fogo.

Ignorar a responsabilidade do Hamas pode ser entendido como um endosso à política de escudos humanos, claramente implementada pelo grupo terrorista e que constitui num flagrante crime de guerra, previsto em leis internacionais.

Fatos inquestionáveis demonstram os inúmeros crimes cometidos pelo Hamas, como utilização de escolas da ONU para armazenar foguetes, colocação de base de lançamentos de foguetes em áreas densamente povoadas e ao lado de hospitais e mesquitas.

Também exortamos o governo brasileiro a pressionar o Hamas para que se desarme e permita a normalização do cenário político palestino. Lamentamos ainda o silêncio do Itamaraty em relação à política do Hamas de construir túneis clandestinos, em vez de canalizar recursos para investir em educação, saúde e bem-estar da população na Faixa de Gaza.

A Conib também lamenta que, com uma abordagem que poupa de críticas um grupo que oprime a população de Gaza e persegue diversas minorias, o Brasil mine sua legítima aspiração de se credenciar como mediador no complexo conflito do Oriente Médio.

Uma nota como a divulgada nesta quarta-feira só faz aumentar a desconfiança com que importantes setores da sociedade israelense, de diversos campos políticos e ideológicos, enxergam a política externa brasileira.